Ando à procura de espaço
para o desenho da vida.
Em números me embaraço
e perco sempre a medida.
Se penso encontrar a saída,
em vez de abrir um compasso,
projeto-me num abraço
e gero uma despedida.
Se volto sobre o meu passo,
é já distância perdida.
Meu coração, coisa de aço,
começa a achar um cansaço
esta procura de espaço
para o desenho da vida.
Já por exausta [...]
Posts de Março, 2008
Cecília Meireles – Canção Excêntrica
Publicado em cecília meireles, etiquetado Canção Excêntrica, cecília meireles em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
Maria Esther Maciel – Ofício
Publicado em Maria Esther Maciel, etiquetado Maria Esther Maciel, Ofício em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
OFÍCIO
Escrever
a água
da palavra mar
o vôo
da palavra ave
o rio
da palavra margem
o olho
da palavra imagem
o oco
da palavra nada.
Maria Esther Maciel – Manuseio
Publicado em Maria Esther Maciel, etiquetado Manuseio, Maria Esther Maciel em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
Tépidas
essas mãos
que divagam
devagar
por meus relevos
óbvios
e demoram
fundo
no obscuro
ponto
onde o corpo
se abisma
e silencia,
absurdo.
Maria Esther Maciel – Noturno
Publicado em Maria Esther Maciel, etiquetado Maria Esther Maciel, Noturno em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
(a T. S. Eliot )
O dia é noite no poema:
Sombras, pedras, luas secas
encobrem a estação das flores.
Sobre o deserto
memory and desire
ainda restam:
ecos entre as cinzas
deste verso.
Will it bloom this year?
Na terra triste do poema
enterro o fim e o infinito:
me faço silêncio, eclipse.
Paulo Leminski – Profissão de febre
Publicado em Paulo Leminski, etiquetado Paulo Leminski, Profissão de febre em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
[...]
Paulo Leminski – M. de Memória
Publicado em Paulo Leminski, etiquetado M. de Memória, Paulo Leminski em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
Os livros sabem de cor
milhares de poemas.
Que memória!
Lembrar, assim, vale a pena.
Vale a pena o desperdício,
Ulisses voltou de Tróia,
assim como Dante disse,
o céu não vale uma história.
um dia, o diabo [...]
Paulo Leminski – Sem budismo
Publicado em Paulo Leminski, etiquetado Paulo Leminski, Sem budismo em Março 9, 2008 | 1 Comentário »
Poema que é bom
acaba zero a zero.
Acaba com.
Não como eu quero.
Começa sem.
Com, digamos, certo verso,
veneno de letra,
bolero, Ou menos.
Tira daqui, bota dali,
um lugar, não caminho.
Prossegue de si.
Seguro morreu de velho,
e sozinho.
Ana Cristina César – Tu Queres Sono: Despede-te dos Ruídos
Publicado em Ana Cristina César, etiquetado Ana Cristina César, tu queres sono em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
Tu queres sono: despe-te dos ruídos, e
dos restos do dia, tira da tua boca
o punhal e o trânsito, sombras de
teus gritos, e roupas, choros, cordas e
também as faces que assomam sobre a
tua sonora forma de dar, e os outros corpos
que se deitam e se pisam, e as moscas
que sobrevoam o cadáver do teu pai, e [...]
Manuel Bandeira – Poética
Publicado em Manuel Bandeira, etiquetado Manuel Bandeira, Poética em Março 9, 2008 | Deixar um comentário »
Estou farto do lirismo comedido
Do lirismo bem comportado
Do lirismo funcionário público com livro de ponto expediente
protocolo e manifestações de apreço ao Sr. diretor.
Estou farto do lirismo que pára e vai averiguar no dicionário
o cunho vernáculo de um vocábulo.
Abaixo os puristas
Todas as palavras sobretudo os barbarismos universais
Todas as construções sobretudo as sintaxes de exceção
Todos os [...]