No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
Posts de Agosto, 2008
Paulo Leminski – Gesto no movimento
Publicado em Paulo Leminski, etiquetado gesto no movimento, Paulo Leminski em Agosto 24, 2008 | Deixar um comentário »
quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo,
chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento
O poeta e o silêncio – Leminski e Eu
Publicado em Paulo Leminski, etiquetado Paulo Leminski, Epitáfio, solange firmino em Agosto 24, 2008 | Deixar um comentário »
Epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta. Nada deixou escrito. Este silêncio, acredito,são suas obras completas.
[Paulo Leminski]
Testamento
Pouco importam
todos os versos que escrevi.
Importam as estrofes grudadas na língua
e as rimas que ficaram na carne.
Importa o que eu não disse
e me deixou
essa mudez interna.
Importam todas as palavras
sopradas sem fôlego.
E todas as efêmeras palavras
e as paixões [...]