Epitáfio para o corpo
Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
[Paulo Leminski]
Testamento
Pouco importam
todos os versos que escrevi.
Importam as estrofes grudadas na língua
e as rimas que ficaram na carne.
Importa o que eu não disse
e me deixou
essa mudez interna.
Importam todas as palavras
sopradas sem fôlego.
E todas as efêmeras palavras
e as paixões que calei
importam.
Todas as vezes
em que engoli as lágrimas
e silenciei os gritos
importam.
Comigo levarei
os ecos de todos
os meus silêncios.
Solange Firmino
* 1º lugar no “2º concurso de literatura Cidade de Gravatal 2007″.
Solange, que bonito poema, realmente é curioso com a gente vai encontrando algumas coisas que nos indicam algo que já escrevemos, mesmo que deem apenas uma lembrança, gosto disso pois vejo nisso uma aproximação das questões mais profundas do ser humano, que dizem respeito essencialmente ao que somos, por isso talvez em alguns momentos encontramos por aí. Adorei ter encontrado esse seu poema. Agradeço a sua gentileza em compartilhado nesse finalzinho de domingo, bom te ler =)
Beijo
G