O corpo é onde
é carne:
o corpo é onde
há carne
e o sangue
é alarme.
O corpo é onde
é chama:
o corpo é onde
há chama
e a brasa
inflama.
O corpo é onde
é luta:
o corpo é onde
há luta
e o sangue
exulta.
O corpo é onde
é cal:
o corpo é onde
há cal
e a dor
é sal.
O corpo
é onde
e a vida
é quando.
Posts de Novembro, 2008
Affonso Romano de Sant’Anna – Definição
Publicado em Affonso Romano de Sant'Anna em Novembro 29, 2008 | Deixar um comentário »
Affonso Romano de Sant’Anna – Intervalo amoroso
Publicado em Affonso Romano de Sant'Anna, etiquetado Affonso Romano de Sant'Anna em Novembro 29, 2008 | Deixar um comentário »
O que fazer entre um orgasmo e outro,
quando se abre um intervalo
sem teu corpo?
Onde estou, quando não estou
no teu gozo incluído?
Sou todo exílio?
Que imperfeita forma de ser é essa
quando de ti sou apartado?
Que neutra forma toco
quando não toco teus seios, coxas
e não recolho o sopro da vida de tua boca?
O que fazer entre um poema [...]
Jose Saramago – NO SILÊNCIO DOS OLHOS
Publicado em Jose Saramago em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Em que língua se diz, em que nação,
Em que outra humanidade se aprendeu
A palavra que ordene a confusão
Que neste remoinho se teceu?
Que murmúrio de vento, que dourados
Cantos de ave pousada em altos ramos
Dirão, em som, as coisas que, calados,
No silêncio dos olhos confessamos?
José Saramago – em OS POEMAS POSSÍVEIS
editorial CAMINHO/Lisboa,1985
Drummond – A palavra mágica
Publicado em carlos drummond de andrade, etiquetado palavra mágica em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Jose Saramago – NA ILHA POR VEZES HABITADA
Publicado em Jose Saramago, etiquetado ilha, saramago em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Na ilha por vezes habitada do que somos, há noites,
manhãs e madrugadas em que não precisamos morrer.
Então sabemos tudo do que foi e será.
O mundo aparece explicado definitivamente e entra
em nós uma grande serenidade, e dizem-se as
palavras que a significam.
Levantamos um punhado de terra e apertamo-la nas mãos.
Com doçura.
Aí se contém toda a verdade suportável [...]
Octavio Paz – IRMANDADE
Publicado em Octavio Paz, etiquetado irmandade em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Sou homem: duro pouco
e é enorme a noite.
Mas olho para cima:
as estrelas escrevem.
Sem entender compreendo:
Também sou escritura
e neste mesmo instante
alguém me soletra.
Octavio Paz – DESTINO DO POETA
Publicado em Octavio Paz, etiquetado Octavio Paz em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Palavras? Sim. De ar
e perdidas no ar.
Deixa que eu me perca entre palavras,
deixa que eu seja o ar entre esses lábios,
um sopro erramundo sem contornos,
breve aroma que no ar se desvanece.
Também a luz em si mesma se perde.
Teixeira de Pascoaes – O Verbo e o Silêncio
Publicado em Teixeira de Pascoaes, etiquetado Teixeira de Pascoaes em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Não criamos as palavras.
o Verbo é que, em nós,
se fez palavra.
A palavra humana
deriva do Verbo divino
e toca o silêncio das coisas,
mudas porque disseram tudo.
E, porque disseram tudo
são perfeitas
no seu recorte definido.
A voz
só existe nos seres indefinidos
ou que têm ainda que dizer.
Mas a palavra
entra no silêncio das coisas
e torna-se mais profunda.
Participa do Silêncio, que a gravida,
e [...]