Somos parte da natureza. E, do mesmo modo, somos parte das palavras também. Quantas vezes uma palavra interrompe a gente e aparece? Quantas vezes ela se impõe sem que possamos entender por quê? Uns pensam que é mediunidade, mas é a palavra que fala em nós. Para um poeta,
a palavra que se impõe [...]
Arquivo da categoria ‘Manoel de Barros’
Manoel de Barros
Publicado em Manoel de Barros em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Manoel de Barros
Publicado em Manoel de Barros em Novembro 28, 2008 | Deixar um comentário »
Veio me dizer que eu desestruturo a linguagem. Eu desestruturo a linguagem? Vejamos: eu estou bem sentado num lugar. Vem uma palavra e tira o lugar debaixo de mim. Tira o lugar em que eu estava sentado. Eu não fazia nada para que uma palavra me desalojasse daquele lugar. E eu nem atrapalhava a passagem [...]
Manoel de Barros
Publicado em Manoel de Barros, etiquetado descomeço, Manoel de Barros em Agosto 24, 2008 | Deixar um comentário »
No descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.
Manoel de Barros
Publicado em Manoel de Barros, etiquetado desvãos, Manoel de Barros, recantos em Agosto 24, 2008 | Deixar um comentário »
Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.
O dia vai morrer aberto em mim.
Manoel de Barros – poema de “O Guardador de Águas”
Publicado em Manoel de Barros, etiquetado Manoel de Barros - poema de "O Guardador de Águas em Fevereiro 16, 2008 | Deixar um comentário »
O sentido normal das palavras não faz bem ao poema.
Há que se dar um gosto incasto aos termos.
Haver com eles um relacionamento voluptuoso.
Talvez corrompê-los até a quimera.
Escurecer as relações entre os termos em vez de
aclará-los. Não existir mais reis nem regências.
Uma certa luxúria com a liberdade convém
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