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Archive for agosto \24\UTC 2008

desenhoNo descomeço era o verbo.
Só depois é que veio o delírio do verbo.
O delírio do verbo estava no começo, lá onde a
criança diz: Eu escuto a cor dos passarinhos.
A criança não sabe que o verbo escutar não funciona
para cor, mas para som.
Então se a criança muda a função de um verbo, ele delira.

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20160422_111811.jpg

Foto tirada por mim no Sana-RJ

Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.

O dia vai morrer aberto em mim.

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20160422_111811quando chove,
eu chovo,
faz sol,
eu faço,
de noite,
anoiteço,
tem deus,
eu rezo,
não tem,
esqueço,
chove de novo,
de novo,
chovo,
assobio no vento,
daqui me vejo,
lá vou eu,
gesto no movimento

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20160422_111811

Epitáfio para o corpo

Aqui jaz um grande poeta.
Nada deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.
[Paulo Leminski]

Testamento

Pouco importam
todos os versos que escrevi.
Importam as estrofes grudadas na língua
e as rimas que ficaram na carne.
Importa o que eu não disse
e  me deixou
essa mudez interna.

Importam todas as palavras
sopradas sem fôlego.
E todas as efêmeras palavras
e as paixões que calei
importam.

Todas as vezes
em que engoli as lágrimas
e silenciei os gritos
importam.

Comigo levarei
os ecos de todos
os meus silêncios.

Solange Firmino

* 1º lugar no “2º concurso de literatura  Cidade de Gravatal 2007”.

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