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Archive for the ‘Solange Firmino’ Category

idoso

Meu poema ficou entre os três melhores no II Concurso ALAP “Paranavaí Literária”.

Os poemas temáticos escolhidos pela Academia nesta segunda edição versaram sobre o idoso e a arte de envelhecer.

A entrega da premiação ocorrerá no dia 31 de outubro de 2017, durante evento comemorativo do Dia Nacional da Poesia (instituído pela Lei nº 13.131, de 3 de junho de 2015, em homenagem à data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade).


 

Inexorável

Na véspera de minha morte, naufraguei nas abissais ondas do Letes.
Subornei oráculos para saber meu fim, mas os vates discretos resistiram,
assediaram-me com seu séquito de sacerdotisas sensuais.
Eles sabiam da minha fadiga e trouxeram asas, como as de Ícaro.
Foi assim que caí feliz no abismo.
Até gostei do espaço entre o chão e a queda…
 
Com o tempo, o espelho me envelheceu.
Nele me vi, e vi inteiros
os versos atirados nos lagos mansos dos olhos,
isentos de eternidade,
mas cheios de memórias e descaminhos.

Abri os lábios e saíram palavras indecifráveis
em busca de abraços e gestos sem punhaladas.
Como dizer-me que os espelhos também deformam?
Eles não refletiram quem eu sou,
Só vi o rosto antigo de criança-adulta, esculpido no reflexo.
Nunca foi a parte inteira e etérea do infinito materializado.

Eu e meu nome, somos mais que álbuns, recortes, paisagens,
pedaços de percursos, calendários,
gestos e cores nas fotografias
e nos passos idos.

Faço uma reza.
Envelhecer é simples,
mas ainda tenho uma canção de ninar
nessa tarde de abril, de quentura insuportável.
Ignoro a morte que se esquiva
exilada nas sombras, extenuada das lonjuras da idade.
Ela tem uma sede envelhecida.

Solange Firmino

 

Vocabulário

Letes – Rio do Hades. Quem bebesse de suas águas esquecia das vidas passadas.

Oráculo – Divindade consultada, intermediário humano, ou ainda o lugar sagrado que transmite a resposta.

Vates – profetas, videntes.

Séquito – Conjunto de pessoas.

 

 

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Palavra secreta

Sem título

* Trecho do poema “Peregrino”, no livro ‘Das estações’.

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Foto tirada por mim em Gramado

São intermináveis
as luas e os sóis
e o milagre dos dias que irrompe.

Chove em mim e o
ventre do abismo
acolhe o trajeto dos pássaros.

Vejo frutas prematuras
na paisagem que criou
este poema.

Logo será tempo de morrer
e entoar um cântico
de renovação
ao fascínio incerto
do solstício.

É familiar esse aceno
das árvores
que me seduz
em pleno mês de julho.

Solange Firmino

(No meu livro “Geometria do abismo”)

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Confiram 8 poemas dos meus 3 livros na

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“O mantra do silêncio é calar”

Solange Firmino

(Trecho do poema “Espólio”, no livro ‘Geometria do abismo’)

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Fui visitar mais uma vez meu poema na Exposição Poesia Agora, já que ele está apenas a duas estações de metrô da minha casa.
Quando estava em São Paulo eu fui, agora eu tenho a obrigação de ir mais de uma vez!
*Desafio poético sem a letra A. (Irreconhecível)
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Em homenagem ao inverno, que começa na madrugada desta quarta-feira, um poema que está no meu segundo livro, “Das estações”:

Véspera

Por ora,
é preciso estar atento ao tempo,
que tudo devora,
como a solidão que corrói o indivíduo.

Na escuridão, a luz frágil flui:
sol dourado que sobrevém ao sono.

Quando eu acordar,
no alvoroço do café,
já será outra estação.

Solange Firmino

(No livro “Das estações”)inverno.jpg

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