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Archive for the ‘Solange Firmino’ Category

Enseada de junho

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Foto tirada por mim na Ilha de Paquetá – RJ

.

Não sei se amo mais o marujo, o vento

ou a maré que traz a desordem da espuma.

O cais inabitado é uma metáfora a decifrar

o silêncio do inverno.

.

Os BARCOS velhos ancorados, as velas rotas recolhidas

fazem pensar que só buscavam um porto de abrigo.

Até as aves marinhas alteram seus rumos.

.

Adio para amanhã mais uma tormenta.

Ao entardecer, percorro a orla da praia.

Espero a lua se acender no mar.

Só os uivos comovidos dos cães

me fazem companhia agora.

.

Solange Firmino

(No meu livro:  “Das estações”)

 

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Céu – Haicai

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Foto tirada por mim. Céu no Rio de Janeiro, hoje, manhã de 16 graus.

Sei que o céu é de outono, mas o haicai que está no livro é de primavera…

Céu de primavera

há uma brisa que regressa

uma nova flor

Solange Firmino

* (Haicai do meu último livro “Alguns haicais e mínimos poemas”)

 

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Sus_pensa

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Estou presa aos abismos,
exaurida na vertigem dos dias.
Tenho fascínio pelas alturas,
mesmo que sejam invertidas.

Esses degraus perversos
levam-me às noites insones
e nítidas.

Mas é outono,
vou olhar o poente
e anotar no meu bloco
os versos que me lembrem
dos amarelos de Van Gogh
que explodem em girassóis.

Solange Firmino

(No meu livro “Geometria do abismo”)

  • Girassol do meu jardim em 22/05/2018.

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haicai

O outono chegou me trazendo bons frutos.

Meu quarto livro finalmente chegou. Prêmio que ganhei em primeiro lugar no concurso da Fundação Cultural do Estado do Pará, “Alguns haicais e mínimos poemas”.
*Depois trago mais detalhes.

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flor

Estas são as flores que abriram para comemorar comigo os 5 anos de cirurgia que completo hoje.
À noite ou amanhã elas morrerão, me lembrando que tudo é provisório, como a dor. Mas outras nascerão, se houver esperança.

“Como elas, renasço a cada dia, busco matar minha sede e me comovo com a luz de cada manhã…”

Solange Firmino

🌸🙏🌱💦

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idoso

Meu poema ficou entre os três melhores no II Concurso ALAP “Paranavaí Literária”.

Os poemas temáticos escolhidos pela Academia nesta segunda edição versaram sobre o idoso e a arte de envelhecer.

A entrega da premiação ocorrerá no dia 31 de outubro de 2017, durante evento comemorativo do Dia Nacional da Poesia (instituído pela Lei nº 13.131, de 3 de junho de 2015, em homenagem à data de nascimento de Carlos Drummond de Andrade).


 

Inexorável

Na véspera de minha morte, naufraguei nas abissais ondas do Letes.
Subornei oráculos para saber meu fim, mas os vates discretos resistiram,
assediaram-me com seu séquito de sacerdotisas sensuais.
Eles sabiam da minha fadiga e trouxeram asas, como as de Ícaro.
Foi assim que caí feliz no abismo.
Até gostei do espaço entre o chão e a queda…
 
Com o tempo, o espelho me envelheceu.
Nele me vi, e vi inteiros
os versos atirados nos lagos mansos dos olhos,
isentos de eternidade,
mas cheios de memórias e descaminhos.

Abri os lábios e saíram palavras indecifráveis
em busca de abraços e gestos sem punhaladas.
Como dizer-me que os espelhos também deformam?
Eles não refletiram quem eu sou,
Só vi o rosto antigo de criança-adulta, esculpido no reflexo.
Nunca foi a parte inteira e etérea do infinito materializado.

Eu e meu nome, somos mais que álbuns, recortes, paisagens,
pedaços de percursos, calendários,
gestos e cores nas fotografias
e nos passos idos.

Faço uma reza.
Envelhecer é simples,
mas ainda tenho uma canção de ninar
nessa tarde de abril, de quentura insuportável.
Ignoro a morte que se esquiva
exilada nas sombras, extenuada das lonjuras da idade.
Ela tem uma sede envelhecida.

Solange Firmino

 

Vocabulário

Letes – Rio do Hades. Quem bebesse de suas águas esquecia das vidas passadas.

Oráculo – Divindade consultada, intermediário humano, ou ainda o lugar sagrado que transmite a resposta.

Vates – profetas, videntes.

Séquito – Conjunto de pessoas.

 

 

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Palavra secreta

Sem título

* Trecho do poema “Peregrino”, no livro ‘Das estações’.

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